
A infância é uma fase marcada por descobertas diárias, e o início da alfabetização é um dos momentos mais marcantes desse processo. No entanto, quando surgem desafios persistentes para ler, escrever ou acompanhar as atividades em sala de aula, vale a pena olhar com mais atenção. A dislexia é um transtorno neurobiológico de aprendizagem que afeta diretamente a forma como o cérebro processa a linguagem escrita. Identificar os sinais precocemente é fundamental para garantir o suporte adequado, evitar a frustração da criança e assegurar uma aprendizagem escolar mais fluida, inclusiva e saudável.
Confira sete sinais que ajudam a reconhecer se o seu filho pode estar enfrentando esse desafio durante a sua jornada de aprendizagem escolar:
Leitura lenta e pouco fluente: Crianças com dislexia costumam demorar mais para ler do que as colegas da mesma faixa etária. Isso ocorre porque elas têm dificuldade em identificar palavras e associá-las aos seus significados. Sua leitura em voz alta tende a ser menos fluente, o que impacta diretamente o ritmo da aprendizagem escolar.
Erros ortográficos: A dislexia prejudica a consciência fonológica — a habilidade de discriminar sons parecidos. Por isso, letras com pronúncias semelhantes, como V e F ou B e D, costumam ser trocadas na escrita. Crianças disléxicas também têm dificuldade de memorizar regras ortográficas e até de juntar duas letras para formar uma sílaba simples.
Demora na construção de frases: Pela dificuldade de formar palavras e atribuir significados a elas, é comum apresentar lentidão na estruturação de frases. Muitas vezes, as sentenças fazem sentido no contexto, mas apresentam desvios gramaticais (como expressar “eu era com sono”).
Dificuldade em seguir instruções compostas: A dislexia afeta a memória operacional (de curto prazo), usada para guardar informações temporárias. Por isso, orientações longas no ambiente de sala de aula — como “abra o livro na página 20 e resolva o segundo exercício” — tornam-se um grande desafio para a aprendizagem escolar da criança.
Escrita espelhada: Escrever palavras ou letras de trás para a frente, como se estivessem refletidas em um espelho, pode ser um indício do transtorno. Essa característica decorre da dificuldade na orientação espacial e na retenção visual do alfabeto durante a idade escolar.
Falta de concentração e dispersão: Atividades que exigem foco prolongado, como quebra-cabeças, jogos de raciocínio ou longas explicações durante as aulas, podem ser desgastantes. O desinteresse aparente muitas vezes não é preguiça, mas um reflexo do cansaço mental causado pelo esforço dobrado na leitura.
Dificuldade com noções de tempo e espaço: Crianças disléxicas levam mais tempo para consolidar conceitos temporais e espaciais, além da lateralidade (direita e esquerda). Elas podem confundir termos como “ontem e hoje” ou “acima e abaixo”, o que se reflete na organização da rotina e do material escolar.
Dra. Cyntia Monteiro | Fonoaudióloga
Graduada em Fonoaudiologia, é especialista em Motricidade Orofacial, Oncologia e Farmacologia Clínica. Com aperfeiçoamento em Disfagias (do ambiente hospitalar ao Home Care), oferece uma visão clínica integrada e multidisciplinar no cuidado da comunicação e deglutição.